quinta-feira, 8 de setembro de 2016

"PINO" - Vilão ou Inimigo Psicológico?

Independente do nível técnico, um dos maiores problemas para boa parte dos Mesatenistas são os temidos Pinos externos. Muitos jogadores tem dificuldades em jogar contra os pinos externos devido a não compreensão de com que efeito a bola volta quando é golpeada por eles.



Pode parecer fácil e até ser taxado de "apelação" para quem usa, porem apesar de ser uma arma muito efetiva quando se sabe usar, em mãos erradas se torna basicamente inútil.
Para melhor compreensão e entendimento sobre o assunto fizemos perguntas para um dos jogadores que mais intrigam com seu estilo de jogo por ganhar de grandes nomes da modalidade nacional de maneiras mais que incompreensíveis.
Henrique Kimura é um atleta federado que atua na Federação Paulista de Tênis de Mesa (FPTM) representando Jundiaí. Conhecido entre os mesatenistas como "Bruxo", coleciona diversos títulos e vitórias sobre atletas de altíssimo nível como: Rodrigo Yonesake, Matheus Shimoki, Emerson Maeda, Fabio Arasaki, Vitor Bibiano, entre outros. Em 2016 conseguiu alcançar o 2° Lugar na categoria Adulto e 4° Lugar na categoria Especial do 66° Campeonato Intercolonial Brasileiro realizado na cidade Maringá/PR em janeiro desse ano.
Fizemos algumas perguntas para entendermos um pouco mais sobre seu estilo de jogo.

Henrique Kimura dando entrevista em algum de seus campeonatos.
Você sempre jogou de Pino ou optou pela mudança após já ser atleta formado?
Não comecei direto jogando com pino, em 2007 ou 2008 quando eu comecei eu usava uma raquete caneta redonda com borracha lisa, fui colocar pino somente em 2011. No começo usava pino com esponja depois passei a usar pino sem esponja (Pino OX). Quem pediu para eu mudar para pino foi meu técnico Edson Yabuuti, que nos deixou esse ano no dia 3 de abril. Aprendi tudo o que sei no Tênis de Mesa com ele, claro que aprendi algumas coisas pesquisando também, porém meu grande mestre foi ele.

Diferente dos jogadores estilo Kato, você adere um estilo diferente que tem como característica ficar perto da mesa defendendo o adversário com seu pino. Com esse estilo você tem mais dificuldade em jogar contra jogadores defensivos ou ofensivos?
Com certeza para o meu estilo é mais difícil jogar contra jogadores defensivos, como meu jogo é baseado em bloqueio e é um pouco mais lento, quando pego alguem que joga mais ou menos no mesmo estilo o jogo fica um pouco mais cansativo e demorado. Claro que depende do nível do adversário também, já joguei contra kateiros que o jogo demorou muito como também já joguei contra adversários defensivos onde eu consegui jogar e ganhar sem muita dificuldade. Mas no geral, é bem mais fácil para eu jogar contra os atacantes, facilita muito.



Henrique Vice-campeão na categoria adulto no Intercolonial 2016.
Sabemos que você já derrotou grandes nomes da modalidade, entre eles alguns são ou foram da seleção Brasileira de Tênis de Mesa. Tem alguma tática que você aplica para ganhar dessas feras ou você apenas neutraliza seus ataques?
Na verdade, eu não aplico uma tática especifica nos jogos, eu jogo o primeiro set e dependendo do jogo do adversário eu mudo a estrategia seguindo na defesa e amortecendo, sempre controlando as bolas com efeito ou bolas fortes, caso haja obrigação de mudar aí eu altero um pouco, mas no geral é ficar boqueando, defendendo e deslocando o adversário usando o pino até ganhar o ponto ou sobrar uma bola boa para que eu tente finalizar atacando. 


Que material você está usando atualmente?
A borracha lisa estou sempre mudando para ir experimentando coisa nova até que um dia eu encontre uma que se enquadre cem por cento no meu estilo de jogo. O Pino Longo já estacionei no Alligator da Donic, já faz um tempo que estou com ele.
Minha madeira que não faz muito sentido é uma Zetro Quad da Xiom, teoricamente era para ser rápida, porem justamente a minha veio lenta, até tentei troca-la no site na época, porém me disseram que isso não se enquadrava em defeito de fábrica o que pra mim a longo prazo acabou sendo bom. Um azar que se transformou em sorte.

Você se inspirou em algum atleta para jogar da forma que você joga? Em que atleta você se espelha?
Pra falar a verdade não tem ninguém não viu. Foi um estilo que fui descobrir com meu técnico Edson Yabuuti mesmo, claro que depois pesquisando pela internet encontramos mais alguns anônimos, tem uma chinesa naturalizada australiana e também a Li Xialian que ficou conhecida nas olimpíadas como a “Vovó do Tênis de Mesa” que tem um jogo parecido, porem foi um estilo que adaptei por conta mesmo.


Kimura 4° colocado na categoria Especial do 66° Campeonato Intercolonial
É preciso jogar bonito pra ser um bom atleta?
Uma frase me veio à cabeça: “Jogar bonito não ganha jogo”. Acredito que jogar bonito e obter bons resultados são coisas diferentes – não estou dizendo que não se pode conseguir bons resultados jogando bonito – mas para mim o foco é resultado, e, onde encontrei os melhores resultados foi nesse estilo visualmente menos atrativo (risos). Jogar esse estilo com pino em cima da mesa não é fácil e não são muitos que jogam assim, por mais que não seja um jogo bonito de se ver é preciso muita habilidade e feeling pra poder jogar assim.


Klaus Bergmann, técnico de jundiaí passando orientações para Henrique Kimura
  
Pra finalizar, você tem alguma dica para esses novos atletas que estão iniciando ou se empolgaram à conhecer o esporte após as olimpíadas.

Que o pessoal novo que está começando a jogar agora, busque alternativas de materiais diferentes, tais como: pinos ou anti-spins e não esse negócio de somente borracha lisa. As vezes a pessoa tem habilidade pra “domar” esses materiais pouco usados e consigam crescer bastante nesse estilo. Tem que experimentar, afinal nunca vai saber se dá certo ou não se não fazer o teste e não estou dizendo em tentar uma semana e depois tirar, pino tem que insistir e é chato mesmo pra acostumar, lembrando que jogar com pino perto da mesa não é dar kato e seu tempo de reação é menor, qualquer movimento errado a bola sobe de presente pro adversário ou então vai na rede, leva-se tempo para adquirir esse “Feeling”, não pode desistir.
E pra finalizar, não se deixem levar por esses mitos de que “Pino é coisa de velho” ou que “Pino é pra quem não sabe jogar”, pois cada um se adapta melhor ao seu estilo de jogo.




Dados de entrevista com o atleta Henrique Kimura, 06 de Setembro de 2016. Todos os direitos dessa matéria pertencem e são reservados a TT Fire Ltda,






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